11.11.14

Teatro do Vestido estreia “Um Museu Vivo de Memórias Pequenas e Esquecidas”

Com textos e direcção de Joana Craveiro, a mais recente criação do Teatro do Vestido é composta por sete palestras performativas sobre a ditadura portuguesa, a revolução e o processo revolucionário. A obra tem estreia marcada para o dia 13 de Novembro, na ZDB, e decorre até dia 16. O espectáculo tem sempre início às 20h00.
Seis anos passaram desde o 25 de Abril, e os meninos da classe da professora Luísa, do Externato Grão Vasco, encontram-se num fotógrafo na avenida com o mesmo nome. Estamos em 1980 e Joana pouco ou nada sabe sobre a revolução. Tem memória da reeleição do General Ramalho Eanes, mas preocupa-se mais em apanhar folhas para os bichos da seda.
Assim começa “Um Museu Vivo de Memórias Pequenas e Esquecidas”, um projecto composto por sete palestras performativas acerca da ditadura portuguesa, da revolução e do processo revolucionário. Partindo de uma pesquisa sobre as memórias da história recente de Portugal, Joana Craveiro, directora da companhia e autora da obra, apresenta aqueles três importantes períodos numa perspectiva histórica, política e afectiva. Com base em testemunhos de pessoas comuns, a autora procura desafiar as grandes narrativas que se têm construído, sobretudo, sobre a ideia de protagonistas militares e políticos. Sob a forma de um solo, o espectáculo mostra onde estão as pessoas no meio destas memórias e narrativas e como é que a transmissão deste período crucial da história do país se opera nos dias de hoje. Que omissões, revisões e rasuras estão a acontecer, como e por quem.
De acordo com Marianne Hirsch, a segunda e terceira gerações são as ‘gerações da pós-memória’ e é precisamente nessa condição que o Teatro do Vestido constrói as sete palestras performativas: “como uma lição de história que não se aprende em nenhuma discilplina que conheçamos – e talvez por isso mesmo estejamos a construir este espectáculo, por nunca o termos podido aprender mesmo quando pedimos que nos ensinassem, que nos contassem como as coisas se tinham realmente passado.”
Depois de ter sido apresentado em antestreia no Citemor e no Festival Y, num formato mais reduzido, “Um Museu Vivo de Memórias Pequenas e Esquecidas” tem estreia absoluta na ZDB, no dia 13 de Novembro, às 20h00. No final de cada espectáculo haverá uma conversa com o público moderada, no dia da estreia pela historiadora Irene Pimentel. Os bilhetes custam 12€ (10€ para grupos de 10 ou + estudantes) e incluem uma ceia. As reservas podem ser efectuadas através do e-mail reservas@zedosbois.org ou do telefone 213 430 205.